A intolerância no trânsito de São Paulo


Há algum tempo tenho observado como vem aumentado a intolerância das pessoas no trânsito de São Paulo. Há umas duas semanas, não me lembro ao certo, um homem, ao ser fechado por um ônibus, parou seu carro no meio da rua e não pensou duas vezes antes de subir no capô e esmurrar o motorista do coletivo. Era impressionante a fúria dele, que só parou uns minutos depois, com a chegada da polícia. Ele foi levado ao hospital para costurar a mão, àquela altura toda rasgada por estilhaços de vidro, e depois seguiu para a delegacia.

Outro dia, ao entrar na minha rua, um motoqueiro surgiu do além – sim, porque essas motos parecem brotar ao lado dos carros com suas buzinas estridentes e seus pés prontos para chutar um retrovisor – e, com a moto ao lado do meu carro, começou a me xingar dos piores nomes possíveis dizendo que eu havia entrado na rua “com tudo”, quase o atropelando. Eu abri o vidro e disse que eu não havia visto e para que ele parasse de falar comigo daquele jeito. Não adiantou, ele quase entrou dentro do carro, continuou me xingando ainda por alguns metros, e não se intimidou com a presença da minha mãe ao meu lado (ele poderia ter um pouco mais de respeito). A certa altura fui encostando o carro para deixar que ele passasse e, como num último protesto, ele tentou bater no meu retrovisor.


Ainda essa semana, uma situação parecida: estava com meu namorado subindo a Consolação, quando um taxista tentou entrar na mesma faixa que ele. O homem colocou a cabeça pra fora do carro e começou a gritar, meu namorado abriu o vidro e pediu desculpa, dizendo que não queria brigar, e ele não precisava falar daquele jeito. Mas também foi inútil, ele continuou a falar e a acelerar o carro pra cima do nosso, até que saiu de perto e foi atormentar outra pessoa.

Citei essas histórias que acontecem todos os dias o tempo todo na cidade para dizer que as pessoas andam cada vez mais intolerantes (como se fosse novidade), com os nervos à flor da pele. Elas parecem estar propensas a arrumar uma briga, parecem procurar um motivo para sair batendo boca com alguém. E tem lugar mais fácil de explodir do que no trânsito? A vida corrida, o estresse diário, os problemas pessoais, profissionais, tudo isso somado ao trânsito caótico (que está cada vez pior) de São Paulo resulta no que vemos diariamente nos noticiários: pessoas sendo agredidas, e muitas vezes até mortas por causa de uma briga de trânsito.

Confesso que também sou um pouco esquentadinha e não gosto de levar desaforo pra casa quando alguém solta um xingamento ou gesto obsceno, mas percebi que não vale a pena levar adiante uma discussão por tão pouco, além de correr o risco de ser agredida ou mesmo baleada. A melhor solução é apertar o botãozinho do “FODA-SE”, colocar um bom som para relaxar e praticar as leis do motorista amigo. Assim, vamos caminhar – mesmo que representando uma pequena parcela da população – para um trânsito mais gentil e menos intolerante. Assim espero.


Encontrei este vídeo do jornal SP Agora, da Record, que mostra o caso do homem que agrediu o motorista

Comentários

  1. Fabi, se fosse só no trânsito, seria até que tolerável... o problema é a intolerância cada vez maior do SER HUMANO, no MUNDO.
    beijo.

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  2. INTOLERANCIA ESTÁ PRESENTE NA VIDA DO SER HUMANO EM TODAS AS SUAS FORMAS, SEJA ELA NA VIDA FAMILIAR, PROFISSIONAL, CHEGANDO AO EXTREMO NO TRANSITO ONDE VIDAS SE FORAM EM FUNÇÃO DA PRÓPRIA.

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